segunda-feira, 20 de junho de 2016

Aula 11 - Documentação de dados - Notas de campo, Diário de pesquisa, Fichas de documentação, Transcrição

       Uma vez que conversamos elementos importantes da coleta de dados, ressaltamos aqui uma preocupação que deve ser constante na pesquisa qualitativa - a documentação dos dados. Mas o que isso significa? A documentação constante dos dados quer dizer o cuidado que o pesquisador deve ter em registrar sempre as informações, tanto os dados coletados quanto as reflexões e relações contextuais.
        No capítulo 22 de Flick (2009), ele afirma que nas observações a tarefa principal é documentação das ações e das interações como forma de enriquecimento contextual. Isso vem ser importante para que na análise posterior dos dados, o pesquisador possa realizar as relações teóricas e fundamentar suas generalizações. O processo de documentação consiste em três etapas:
             Gravar propriamente dito requer cuidados técnicos, o que pode ser feito com celular (modernos como os atuais), porém eu recomendaria o uso de gravador próprio para esse fim, pois isso minimiza as possibilidades de imprevistos situacionais. 
                  Em seguida, a transcrição, que pode ser total, captando os humores e interjeições, quando, por exemplo se quer fazer uma análise de discurso; ou uma transcrição seletiva, quando se quer apenas uma análise de conteúdo. É importante definir as convenções da transcrições como seus símbolos e códigos das reações dos entrevistados, conforme aponta Drew (1995) em Flick:
                 
                

                  E por fim, a construção de uma nova realidade, o que a meu ver melhor deveria ser chamada de "(re)construção". Essa etapa foi bastante destacada em sala de aula como o grande trunfo da pesquisa qualitativa e vantagens de registros documentais constantes. A essa reconstrução da realidade com o uso de textos, Flick chama de: a Realidade como Texto: o Texto como nova realidade.
              Estamos nos formando enquanto pesquisadores para compreender a realidade e poder contribuir de alguma forma para sua melhoria. Logo, é mister pensar que ao fim de um trabalho sejamos capazes de reconstruir uma realidade apontando novas formas de convivência social, para tanto, o uso de registros documentais ensejará uma melhor rememoração das reflexões e relações contextuais surgidas no ato da coleta de dados. Eu acrescentaria dizendo que esse registro é fundamental em todas as fases da pesquisa.
                Um debate que proporcionou boas reflexões em sala foi quanto à possibilidade de perda de naturalidade com o uso de gravadores. Os entrevistados, por vezes, podem reclamar de timidez diante aparelhos gravadores. Um dos alunos falou que em sua pesquisa teve que dispensar o uso desses aparelhos porque o entrevistado alegou certa fobia e que não faria a entrevista com gravadores. 
                Claro que esse caso é uma exceção, mas em geral o pesquisador tem o dever de conduzir a entrevista tentando tranquilizar os respondentes diante o uso de gravações, além de registrar os cuidados éticos com os dados coletados. Os primeiro minutos de tensão podem ser aliviados com perguntas genéricas e abertas, e em seguida com os entrevistados mais à vontade, inserir perguntas mais diretivas.

                  Flick salienta dois tipos de registros documentais: Notas de Campo e Diário de Pesquisa.
 Na primeira, fazemos um registro de conclusões feitas após cada contato individual de campo. Isso é fundamental para o que dissemos antes, rememorar as reflexões no ato da generalização teórica final, mas também importantíssimo para quem deseja trabalhar com a Teoria Fundamentada, que exige circularidade em todas as fases. O uso do diário de pesquisa abrange todas as fases, registra os fatos, reflexões, contextos, dificuldades, conclusões parciais desde a formulação inicial da pesquisa até as fases conclusivas. 
                Realizar o registro das atividades de campo na pesquisa qualitativa proporciona ao pesquisador maior proximidade com o contexto do fenômeno investigado, para isso, existem técnicas e cuidados, que uma vez obedecidas leva o sujeito a compreender melhor a realidade investigada. Isso permite reconstruir sua gestalt a fim de analisá-la, fragmentá-la, sintetizar e propor novos significados.
               

Aula 07 - Coleta de dados na pesq. qualitativa - Observação, Etnografia, Dados visuais e Documentos como dados

           Nessa aula debatemos sobre os tipos de coletas de dados na Pesquisa Qualitativa, dentre eles a Observação, Etnografia, Dados Visuais e Documentos. Para tanto, a aula foi balizada pela obra de Flick - Introdução a Pesquisa Qualitativa, 2009.
          Segundo Flick, a técnica de observação na pesquisa qualitativa tem sido essencial na sua história, sobretudo nos EUA. Podemos destacar dois principais tipos de observação: a participante e a não participante. Esse debate sobre a intervenção no pesquisador no campo de coleta de dados é longo e pode ser discutido desde a postura epistemológica do pesquisador. 
          A princípio devemos distinguir a observação como técnica da observação enquanto ato comum do pesquisador em relação ao fenômeno. Esta última é parte da pesquisa de todo pesquisador em relação a seu objeto de pesquisa, em essência somos todos observadores de fatos e usamos diversas técnicas de aproximação com o objeto investigado, dentre elas a "observação".
          Em buscas diversas no YouTube, localizei um vídeo que pode ajudar a entender o pesquisador enquanto observador da realidade. A partir do título já nos instiga a assistir: "O observador é o Observado - O Eu é real ou apenas uma imagem? - com Dr.Krishnamurti.

          No vídeo podemos entender a visão dos pesquisadores sobre a relação do sujeito com o objeto observado, a sua própria realidade no tempo e no espaço. Logo, o desafio de compreender o fenômeno na pesquisa qualitativa é complexo pois envolve a postura do sujeito em todas as suas fases.
          Já na observação enquanto método de coleta de dados, mote dessa aula, ocorre em diversas dualidades:


Tipos de Observação
Fator diferenciador
Secreta
Pública
Até que ponto a observação é revelada aos observados?
Não-Participante
Participante
Até que ponto o observador precisa tornar-se componente ativo na observação?
Sistemática
Não sistemática
Há um esquema de observação padronizado ou mais flexivo?
Situação Natural
Situação Artificial
As observações são realizadas num campo de interesse ou deslocadas para um local especial?
Auto observação
Observação das outras pessoas
Há observação auto reflexiva do observador, ou das outras pessoas?

           (Flick, 2009)

          Em relação ao observador participante, ele pode ser: participante completo; participante como observador; Observador como participante; observador completo. Entre todas elas, o que se pode usar como fator diferenciador é o fato de o pesquisador participar e interferir no campo ou apenas observá-lo sem interferência.
       Para ilustrar o que seria uma pesquisa por observação participante, localizei uma peça publicitária de uma empresa chamada Big.Lar, onde o observador interage com as crianças e filma suas reações no ato da pesquisa.

            Apesar de ser uma peça publicitária, ela consegue ilustrar o que seria uma pesquisa científica participante com o uso de tecnologia de filmagens. Fosse uma pesquisa acadêmica, o observador poderia bem utilizar a observação pública, participante, sistemática, em situação artificial, de outras pessoas.
           Dentre as etapas desse método, podemos citar segundo Flick,(2009), a seleção do ambiente, definição do que deve ser documentado, treinamento dos observadores, observações focais e referentes ao problema de pesquisa, observações eletivas e saturação teórica das observações. As limitações do estudo é que na não participante é muito difícil o pesquisador se manter completamente afastado sem interferir ou conseguir elementos importantes sem se tornar membro do grupo.
         Para minimizar essas limitações, existe uma técnica chamada "Etnografia". Buscando rapidamente a etimologia da palavra, vimos que "a etnografia (do grego έθνος, ethno - nação, povo e γράφειν, graphein - escrever) é por excelência o método utilizado pela antropologia na coleta de dados. Baseia-se no contato inter-subjetivo entre o antropólogo e o seu objeto, seja ele uma tribo indígena ou qualquer outro grupo social sob o qual o recorte analítico seja feito. (Wikipédia)"
            Uma definição acadêmica de Hammersley e Atkinson (1995), no livro e Flick (2009) se aproxima da anterior ao dizer que etnografia em sua forma mais característica, implica a participação pública ou secreta do etnógrafo na vida cotidiana das pessoas por um período prolongado de tempo, observando o que acontece, escutando o que é dito, fazendo perguntas, e coletando qualquer dado que disponível que ajude a esclarecer as questões de pesquisa.
             Uma variante da etnografia é a fotoetnografia, que se utiliza da "leitura" visual de fotos como coleta de dados científica. Aqui apresento o exemplo do "projeto fotoetnográfico “o índio que você não vê” é um ensaio em narrativa visual feito com dez etnias de Alagoas que busca desmistificar a ideia engessada e folclórica do estereótipo indígena no Nordeste, estes geralmente marcados pela descaracterização dos sinais diacríticos, visto que foram os que mais sofreram com isso por estarem localizados em áreas litorâneas e, consequentemente, mais propícios à miscigenação e à incorporação de elementos socioculturais externos. Projeto realizado paralelo à elaboração do Atlas de Terras Indígenas em Alagoas no Laboratório de Antropologia Visual em Alagoas"
Visite o site: O Índio que você não vê 


               A etnografia tem sido um método poderoso na pesquisa qualitativa pós-moderna sobretudo na psicologia cultural e do desenvolvimento. Entretanto é necessário ter o cuidado com a arbitrariedade metodológica de seu uso e primar pelo rigor científico a fim de conseguir as generalizações teóricas almejadas.
                
                Nos capítulos 18 e 19 de Flick, ele apresenta algumas orientações no uso de fotografia, filmes, vídeos e outros documentos que podem contribuir para a observação, e etnografia. O uso de imagens, por exemplo pode ser interessante para repassar a leitura visual do contexto observado. As filmagens e vídeos, da mesma forma, contribui em casos em que se almeja captar a percepção dos observados quanto à interpretação de um fato. Por exemplo, colocar um vídeo da Primeira Guerra Mundial e buscar as reações dos espectadores.
                  No caso de outros documentos, Wollf (2004) afirma que são artefatos padronizados na medida em que ocorrem tipicamente em determinados formatos como: notas, relatórios de casos, contratos, rascunhos e outros. Eles podem ser primários, quando são produzidos pelo próprio pesquisador, ou secundários, quando já existem e são acessados pelo pesquisador.
                As dificuldades inerentes a eles, são o acesso, que pode ser restrito ou público, e a confiança das informações. Além disso, Scott (1990) atenta para outros aspectos como Autenticidade do documento, Credibilidade, representatividade e significação. Como exemplo, trouxe aqui uma imagem de um documento oficial de Dom Pedro Henrique D'Orleans Bragance.

Em 1941, em Petrópolis, o príncipe imperial do Brasil, Dom Pedro Henrique D´Orléans Bragance, manda uma carta para um embaixador no Rio de Janeiro.



"(...)agradecendo o embaixador por uma carta que ele tinha mandado para anunciar uma boa notícia (não se sabe qual), pede desculpa pelo atraso explicando que se encontrava em Minas Gerais e espera encontrar o embaixador no Rio De Janeiro."

             Realizar uma pesquisa qualitativa requer envolvimento total do pesquisador, é um trabalho árduo e complexo, mas instigante. O uso de tais métodos de coleta de dados exige rigor científico, para que ao fim se possa atingir os objetivos almejados. Compreendo que o pesquisador não deve, nem sequer consegue, afastar-se do fenômeno, contudo deve manter olhos atentos para não "burlar" os dados do campo. 
               A observação se dá ao observar e isso só é possível com a intervenção humana. Óbvio! Portanto, lutar por um afastamento, é assumir a postura de que o pesquisador não sabe pesquisar. Do contrário, acredito que o uso adequado de dados, como documentos, fotos, vídeos e outros, capacita o pesquisador a pesquisar. Somente com o usos de dados disponíveis que ele consegue alcançar uma maior proximidade com a verdade do fenômeno.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Aula 13 - Análises de conversação, do discurso e de gênero, de narrativa e hermenêutica

Nessa aula os grupos foram divididos e trabalhamos primeiramente três técnicas: Análise de Conversação; do discurso; e de gênero. Na primeira delas, vimos novamente a relevância do contexto para a pesquisa qualitativa, e aqui, reforçou-se a presença da gestalt na pesquisa, pois somente com uma leitura a partir do olhar dos informantes é que o pesquisador poderá colher os detalhes da conversação.
Flick (2009) traz um pensamento de Bergmann (1985) ao dizer que essas abordagens permitem-se guiar pela análise sequencial, a qual introduz a ideia de ordem social a partir de suas interações e revezamentos. Ou seja, os conteúdos das entrevistas só são confiáveis se apresentarem sua "gestalt", seu contexto.
Em síntese, a Análise de Conversação "origina-se com base no fato de que em todas as formas de comunicação e linguística e não linguísticas, direta e indireta os atores se preocupam com o assunto da análise da situação e do contexto de suas ações, da interpretação de suas declarações."
Assim, o objetivo dessa abordagem é determinar os elementos constitutivos do fenômeno, por meio dos quais os atores se interagem em estruturas significativas, bem como a ordem sequencial dos eventos que caracterizam o fato.
Destacamos três pontos chave aqui, um é a importância da interação, outro do contexto e por último uma seleção do que é relevante nessas interações. Destacou-se ainda os procedimentos para a Análise de Conversação (Ten Have, 1999): Gravações das interação; transcrição do material; análise dos episódios; e relatório de pesquisa. Assim, pode-se resgatar os elementos naturais e situacionais das interações dos indivíduos, fica notório que a posturam epistemológica delineada até aqui se trata da etnometodologia, conforme visto em aulas anteriores. Sua principal limitação é não se ater também ao conteúdo das falas, mas sim aos aspectos linguísticos.

Fique no grupo de Análise de Discurso, e vimos que ele difere da análise de conversação está na sua principal limitação, (a questão do conteúdo). A Análise de Discurso, pesquisador se concentra mais no conteúdo da fala, em seu assunto e em sua organização mais social. Para tanto, é necessária uma leitura cuidadosa das transcrições, bem como uma codificação rigorosa do material e suas análises. Flick recupera os ditos de Foucault (1980) para esboçar uma proposta de condução da AD, numa perspectiva mais crítica, o que mais a frente ficou conhecida como Análise Crítica do Discurso (ACD). Dentre essas fases, destaco a importância de se fazer relações entre os objetos em si, entre eles e os sujeitos, manter certa distância do texto, e por fim, mapear os resultados e redes de relações de acordo com os padrões e linguagens.
Nessa perspetiva mais crítica, trouxemos um artigo de Lacerda e Brulon (2013), POLÍTICA DAS UPPS E ESPAÇOS ORGANIZACIONAIS PRECÁRIOS: UMA ANÁLISE DE DISCURSO. Nele os autores fazem uma análise das relações de poder e dominação percebidas a partir do discurso de um vereador carioca na ocasião de entrega de medalha de honra ao coronel responável pela UPP em estudo. Em suas conclusões os autores perceberam que há forte indício de segregação e autoridade na fala do discursante.
Outros trabalhos podem ser visualizados na área de Marketing, Gestão de Pessoas e Estudos Organizacionais e outros.

No capítulo seguinte, o 25, pudemos retornar ao debate sobre as pesquisas com entrevistas narrativas, em que nesse capítulo são tratadas como "Análise de Narrativas". Algumas recomendações já foram tratadas em capítulos anteriores, portanto, há poucos insights aqui. As narrativas são estimuladas e coletadas com a finalidade de construir processos biográficos, logo devem ser históricas e cronológicas, como já foi visto.
Entretanto, uma vez coletados os dados, como realizar a análise? Schutze (1983) aponta para três recomendações, eliminar os trechos que não forem narrativos; descrição estrutural dos trechos narrativos; e abstração analítica como etapa final. Ficou claro para mim a importância das narrativas como construções sociais e culturais, logo, passiveis de se tornarem dados de pesquisa, e por conseguinte, serem analisados sob a égide de um problema condutor.

Na segunda abordagem, Hermenêutica Objetiva, começamos o debate com a ideia de que a mesma analisa as interações naturais. Um dos primeiros critérios é que a análise deve respeitar a ordem sequencial. A partir da leitura de (Wernet, 2000) há cinco critérios para a hermenêutica: a independência do contexto, literalidade, sequência, substancialidade da informação e parcimônia.
Para Flick (2009) essa análise tem três etapas, primeiro uma definição do caso a ser analisado, em seguida a estrutura prévia da compreensão, e por fim a ordem sequencial a ser analisada.

Todas as análises aqui estudadas levam em consideração como elemento fundamental o contexto do respondente, e em certa medida a sequencia da fala e dos fatos. Posso extrair dos debates que para utilizar esses métodos, preciso estar ancorado sempre no construcionismo para permitir que os informantes relatem seu contexto e assim, eu possa atender a minha questão de pesquisa. A riqueza dos dados aqui está na fala, nas interações, nas narrativas, ou seja, no olhar contextual presente nos atores locais.
















quinta-feira, 2 de junho de 2016

Aula 8 - Pesquisa qualitativa online: a utilização da internet - Cap. 20 (Flick,2009)

Nesse capítulo, o autor trata dos seguintes objetivos:

  • usar a internet na pesquisa qualitativa
  • entender as vantagens do uso da internet como apoio para seu estudo
  • explicar como os métodos da pesquisa qualitativa são utilizados para estudar-se a internet
  • compreender a forma como abordagens básicas da pesquisa qualitativa podem ser transferidas aos métodos de pesquisa baseados na internet.
Nesse capítulo aprendemos que o uso da internet pode se dar de formas variadas, dentre elas o próprio estudo dela como objeto de pesquisa. Hoje observamos o crescente uso da internet nas atividades mais rotineiras, logo, entender o comportamento e as suas utilizações são um fenômeno riquíssimo de análise. Para isso, o pesquisador pode fazer uso de diversas técnicas  e métodos, como observação, entrevistas, grupos focais e outros.
Nesse momento eu fiz relação com um tema bastante discutido atualmente que é a possibilidade de limite de uso de internet por parte das operadoras de banda larga (atualmente fundidas com as operadoras de telefonia móvel e Tv por assinatura).

"A partir do ano que vem, todos os planos de internet fixa de Vivo, Net e Oi — três das principais operadoras de telecomunicação do Brasil — deverão ser oferecidos com limite de dados. Com a inclusão desse teto nos contratos das operadoras de telefonia, o uso que as famílias fazem da internet fixa pode mudar."

Link: 
http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/noticia/2016/03/planos-de-banda-larga-serao-por-limite-de-uso-de-dados-em-2017-5113400.html


Assim, pesquisar o uso de internet nesse cenário traz um elemento diferente, pois os brasileiros estam acostumados a utilizar esse serviço de maneira intensa, visto como um dos países que mais usam banda larga no mundo (apesar da baixa velocidade em comparação com outros países tecnologicamente desenvolvidos).

Seguindo essa direção, o pesquisador que decidir utilizar esse meio para realizar sua pesquisa deverá estar familiarizado com as tecnologias que fara uso e se o grupo de pessoas pesquisadas por ele também tem essa ligação com a internet e se esse é o único (ou mais adequado ao problema de pesquisa) meio de se coletar os dados.

Uma vez que a decisão pelo uso da Web para a realização da pesquisa, o cientista irá decidir sobre qual método utilizar, então Flick (2009) faz uma análise dos métodos e suas devidas modificações e adaptações para a Web. Assim, ele trabalha com quatro tipos de métodos: Entrevista online (uso do email); Grupos Focais online; Etnografia Virtual; e Análise de documentos na internet.

No caso da Entrevista Online o autor recomenda que ela pode ser mais indicada quando a entevista cara a cara traga algum constrangimento para o entrevistado, e o pesquisador presuma que ao enviar o roteiro de perguntas e recebe-lo por email, o entrevistado fique mais a vontade para se expressar.
Eu nunca havia imaginado nesse tipo de entrevista, pois ele mais se assemelha a um questionário com perguntas abertas, do que entrevista propriamente dito. Essa dúvida é prontamente pontuada por Flick na sequência do texto.
O autor argumenta que esse método pode ser indicado para casos em que há grandes distâncias entre entrevistado e pesquisador, podendo ser analisados os dados através de codificações e categorizações. Porém, não proporciona grande flexibilidade na aplicação.

ENTREVISTA ONLINE
No primeiro momento, ao ler o termo "entrevista online", imaginei que fosse um tipo de entrevista feita através de ferramentas como skype, hangout, e etc. ou seja, tecnologias que possibilitasse a entrevista face a face, mas por meio de software. Ou ainda, por meio de troca de mensagens instantâneas, como chat, whatsapp, redes sociais e outros. Conforme indica Costa, Dias DiLuccio (2009): "Com o advento da Internet, grande parte dessas conversas migrou para os ambientes de troca instantânea de mensagens on-line, que se popularizaram rapidamente. O argumento central deste trabalho é o de que, desde então, a coleta de dados por meio de entrevistas on-line, baseadas no modelo das conversas cotidianas informais que também ocorrem on-line, se tornou um procedimento de pesquisa sério e viável."

Com isso concluo que entrevista online é o tipo de método que mantém as mesmas diretrizes da entrevista presencial, mas com o uso de tecnologias que possibilitem a sua aplicação no tipo não presencial. Ela pode ocorrer ao vivo, com o uso de video conferência ou por mensagens instantâneas com o uso de aplicativos como whatsapp ou chats, por exemplo.

GRUPOS FOCAIS ONLINE

Aqui Flick (2009) novamente traz a ideia de que os grupos focais podem ser feitos com suas devidas adaptações para o universo online. Ele defende que esse método pode ser em tempo real ou não. Como no método presencial, o moderador deve ter o cuidado para que as pessoas tenham o mesmo programa de compartilhamento como conferências, mas ele não tem como garantir que as pessoas atendam a todos os critérios estabelecidos.
O problema central é que o pesquisador terá dificuldades em contextualizar os participantes em suas devidas realidades. Mas como vantagens, esse método pode possibilitar que participantes mais tímidos possam se expressar, uma vez que eles estarão "protegidos" pela distância física do grupo.

ETNOGRAFIA VIRTUAL
Aqui o autor considera algumas limitações na adaptação para a realidade virtual, uma vez que a internet tem um modo particular de de ser, onde as pessoas interagem de um modo singular, com linguagens específicas.
Nesse sentido o pesquisador mantem o que Hine defende, ou seja, vivenciar o meio e interagir com os participantes, mas entendendo as suas limitações tecnológicas. Num grupo onde as comunidades virtuais se interagem, cada membro possui seu modo particular de ver o mundo, mas nos debates há certos padrões que criam limites entre os membros.
Um exemplo disso são os debates ocorridos nas redes sociais, as interações entre os membros são balizadas por regras implícita de convívios, uma vez que essas regras são rompidas, o próprio grupo trata de criar barreiras ou censuras.
Desse modo, Flick diz que a etnografia virtual nunca é holística, mas parcial, buscando compreender apenas elementos que vêm à realidade virtual observada. Para isso, ele faz uso de observação, entrevistas, análise de discurso e outros. 

ANÁLISE DE DOCUMENTOS Online
Flick (2009) traz esse método e atribui algumas recomendações quanto ao uso de site e ferramentas de buscas, bem como a importância de se realizar as devidas citações de fonte e dados do acesso. Parte dessas recomendações já são amplamente difundidas atualmente, mas vale ressaltar os aspectos éticos no uso e tabulação dos dados documentais.  Para a segurança e credibilidade das informações, o autor recomenda a triangulação dos métodos.
Além disso, imagino que esse método pode ser interessante para analisar documentos públicos digitalizados, relatórios de gestão publicados somente na versão online, acesso a documentos online em locais mais afastados do pesquisador. Para isso, o cientista faz uso das mesmas diretrizes da analise documental, mas com suas peculiaridades do universo online.

Realizar uma pesquisa online traz seus dilemas técnicos, conceituais e éticos. Do ponto de vista técnico, o pesquisador deve considerar a qualidade de conexão tanto dele quanto dos respondentes, bem como a habilidade que os pesquisados têm com a tecnologia. Além disso, ele deve pensar em alinhar seu método com seu problema de pesquisa e suas intenções científicas. E ao fim, com as questões de anonimato e cuidados com o trato textual com os pesquisados.


Para ilustrar a pesquisa qualitativa online, consegui dois textos que tratam do assunto. O primeiro fala sobre a entrevista online, feita através de aplicativo de mensagens instantâneas:
Uso de entrevistas on-line no método de explicitação do discurso subjacente (MEDS)
Ana Maria Nicolaci-da-Costa*; Daniela Romão-Dias; Flávia Di Luccio
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
RESUMO
Tradicionalmente, tal como outros métodos qualitativos que usam entrevistas, a coleta de dados do MEDS é realizada em encontros presenciais que têm como modelo as conversas cotidianas em contextos informais. Com o advento da Internet, grande parte dessas conversas migrou para os ambientes de troca instantânea de mensagens on-line, que se popularizaram rapidamente. O argumento central deste trabalho é o de que, desde então, a coleta de dados por meio de entrevistas on-line, baseadas no modelo das conversas cotidianas informais que também ocorrem on-line, se tornou um procedimento de pesquisa sério e viável. São, portanto, discutidas as especificidades, requisitos, vantagens e desvantagens desta nova forma de entrevista. São, ainda, revelados o histórico, os raciocínios e as necessidades que a legitimam.
Palavras-chave: MEDS; métodos qualitativos; entrevistas on-line; conversa informal.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79722009000100006

E o segundo foi uma experiência empírica no mundo de jogos online, analisando suas imagens.

Usos da Etnografia em mundos virtuais baseados na imagem 

Resumo A etnografia é uma técnica consagrada na pesquisa em ciências sociais, especialmente na antropologia. Contudo, os novos espaços de comunicação mediados pela tecnologia têm apresentado desafios à sua aplicação, face à desterritorialização, anonimato e registros limitados, em maioria, ao texto escrito. Esses novos formatos comunicacionais propiciaram o surgimento de diversas adaptações da etnografia para o meio online, abordando características típicas de websites, fóruns de discussão, redes sociais, chats e MUDs1. Entretanto, os jogos massivos 2online, denominados MMORPGs (Massively Multiplayer Online Role-Playing), incorporam fortemente a imagem em sua experiência interativa, apresentando avatares3 gráficos e interações gestuais entre personagens, ou seja, é uma experiência do mundo visual simulada em três dimensões. Além disso, pode-se ver a formação de identidades que se expandem além do jogo usando outros canais online, e até alcançando o off-line. Estas inovações abrem novas dimensões para o uso da etnografia (inclusive a antropologia visual) em mundos virtuais online, onde requer adaptações das técnicas existentes. Inicialmente, é feita uma revisão das principais técnicas etnográficas aplicadas ao meio online, depois se discute modificações que as características específicas dos MMORPGs imprimiriam a tais técnicas. Conclui-se que o aspecto imagético e ambientação baseada em uma interface tridimensional de tais jogos, de certa forma, possibilitam a aplicação das técnicas mais clássicas de etnografia. Palavras-chave: etnografia; mundos virtuais; jogos online; imagem; mmorpgs.

Link:
http://arca.icict.fiocruz.br/bitstream/icict/3848/1/Usos_etnografia_mundos_virtuais_imagem.pdf

COSTAAna Maria Nicolaci-da-; DIAS, Daniela Romão-;  DI LUCCIO, FláviaUso de entrevistas on-line no método de explicitação do discurso subjacente (MEDS), Psicol. Reflex. Crit. vol.22 no.1 Porto Alegre  2009





Aula 5 - Coleta de dados verbais na pesquisa qualitativa (01/04/2016)

Nessa aula pudemos estudar as diversas particularidades de três tipos de coleta de dados: entrevista, narrativas e grupos focais. Para tanto, foi utilizada a referência de Flick (2009). No capítulo inicial (capítulo 13), aprendemos diversos tipos de entrevistas, bem como alguns dos principais erros na condução das mesmas. 
O primeiro tipo foi o da entrevista focalizada, que foi introduzida por Robert Merton, sociólogo estadunidense, e seus colaboradores. O cerne principal desse tipo de entrevista é estudar o impacto que determinado estímulo tem sobre os entrevistados. Para tanto, a indicação dos autores é seguir os seguintes critérios na condução da entrevista: o não direcionamento (realizando perguntas abertas), a especificidade ( a pergunta deve demonstrar algo específico da problemática buscada), a inspeção retrospectiva (o entrevistado é incentivado a buscar fatos históricos que auxiliem na sua resposta), além da profundidade e contextualização para que o pesquisador possa compreender o fenômeno a partir da realidade do entrevistado, e outros.
Vimos através de um video, algumas recomendações na fora de conduzir a entrevista. Posso destacar o cuidado no início das perguntas, onde o entrevistador deve deixar o respondente um pouco mais à vontade e minimizar a distância entre si. Para isso, algumas perguntas mais abrangentes ou mesmo secundárias são indicadas nessa ocasião inicial, em seguida as perguntas mais objetivas e a título de formulário, para na sequência tratar dos assuntos mais relacionados com a pesquisa. Alguns cuidados com perguntas polêmicas também devem ser tomados para não criar situações constrangedoras e com isso, romper com a confiança do entrevistado.
Outro tipo de entrevista são as chamadas semipadronizadas. Elas são indicadas quando entre os entrevistados já existe certa compreensão do fenômeno pesquisado, pois eles serão arguidos e incentivados a prestarem depoimentos aprofundados sobre o tema. Aqui pude ter contato com uma técnica nova, chamada de TDE (Técnica da Disposição da Estrutura), onde o pesquisador constrói com o respondente um diagrama, em duas rodadas de entrevistas, que representa uma espécie de mapa mental das ideias do entrevistado.
Outro tipo de entrevista que me chamou atenção foi a do tipo etnográfica, onde o pesquisador mantem o cuidado de não perder o caráter "etno", (cultural, contextual, local...), mas realiza entrevistas espontâneas no campo.
Na sequência, o autor trabalha no capítulo 14 com as Narrativas, nele pude aprender a distingui-la de outros relatos como nos estudos de casos. A condição fundamental da narrativa é que ela seja um relato histórico e cronológico de um fenômeno, portanto, as perguntas devem ser direcionadas ao respondente para que ele possa contar aspectos do passado de maneira a configurar uma evolução temporal dos fatos. As entrevistas narrativas são utilizadas principalmente no contexto da pesquisa biográfica. Nesse caso o pesquisador solicita ao respondente que apresente, na forma de uma narrativa improvisada, a história de uma área de interesse da qual o entrevistado tenha participado, e esta narrativa deve ser consistente com início, meio e fim. Como problema a este tipo de metodologia, o autor aponta a violação sistemática das expectativas dos papeis de ambos os participantes. Rompem-se as expectativas ligadas à situação de uma entrevista pelo fato da metodologia da pesquisa pergunta resposta não ser feita e, também, porque dificilmente se dá uma narrativa na vida cotidiana do entrevistado. 
Um novo tipo de narrativa me surgiu aos olhos, a narrativa episódica. Nela o entrevistado é incentivado a relatar algum fato situacional de conhecimento experimental. Ela difere da narrativa histórica ou biográfica, pois busca um relato de um fenômeno particular dentro da história vivida pelo sujeito. Algumas de suas dificuldade são inerentes à própria limitação dos respondentes em se lembrar dos fatos ocorridos, mas me parece ser fundamental para narrativas de momentos históricos relevantes. Imaginei um tipo de narrativa episódica em que, por exemplo, um gestor público tenha vivenciado um momento político expoente, como na ditadura militar.

O capítulo 15 traz um debate sobre os grupos focais, e inicia com uma classificação deles em entrevistas em grupo, discussões em grupo, grupos focais (propriamente dito) e narrativas conjuntas. 
A entrevista em grupo se caracteriza por ser composta de pequenos grupos onde o entrevistador atua também como moderador e cuida para que indivíduos isolados não dominem o debate, sobretudo em torno de questões avessas ao problema de pesquisa. Aqui o método se distingue dos demais no instante em que são realizadas perguntas direcionadas aos indivíduos sem o espaço amplo para discussões. 
Já nas discussões em grupo, o que mais caracteriza é o debate entre os indivíduos, o moderador acompanha a discussão entre os membros e precisar tomar o cuidado para manter o foco da pesquisa. Isso se aproxima da ideia de grupo focal, onde o moderador possui a responsabilidade de conduzir o debate gerando hipóteses e construindo conclusões sobre o posicionamento dos respondentes.
Em geral, esses métodos trazem como limitação, a dificuldade de integrar os diversos depoimentos dos participantes dos grupos, e assim construir uma generalização teórica, mas com rigor na condução dos trabalhos o pesquisador pode conseguir chegar a esse ponto.





















Aula 4 - Iniciando o Processo da Pesquisa Qualitativa - Flick (2009)

A decisão por qual abordagem o pesquisador se enveredará requer reflexão profunda e não somente aptidão entre ele e o objeto a ser observado. As diferenças epistemológicas e metodológicas entre métodos qualitativos e quantitativos (apesar de algumas discordâncias) partem logo do processo da pesquisa, até o comportamento do pesquisador no campo, bem como o tratamento dos dados e da amostra selecionada.
Nessa aula foram discutidas os elementos mais fundamentais para a pesquisa qualitativa e suas singularidades, para tanto, debatemos os capítulos 8 a 12 do livro de Flick (2009).

No capítulo 8 vimos que a pesquisa quantitativa segue um modelo mais linear, onde o trabalho parte da teoria, estabelece-se hipóteses e em seguida vai ao campo testá-las. Já na pesquisa qualitativa, o autor traz o exemplo da Teoria fundamentada para chamar atenção de que nem sempre a pesquisa segue essa linearidade, mas sim uma circularidade entre o campo e a teoria.
Logo, a pesquisa qualitativa pressupõe uma compreensão diferente da pesquisa no geral que vai além dos métodos de coleta de dados, abrange o entendimento específico da relação entre o tema e o método. De forma restrita é compatível com a lógica da pesquisa familiar à pesquisa experimental ou quantitativa. A postura do pesquisador, na pesquisa qualitativa, deve levar em consideração o fato da interdependência mútua das etapas isoladas do processo de pesquisa.
A contraposição a este modelo é a abordagem da teoria fundamentada que dá prioridade aos dados e ao campo em estudo sobre as suposições teóricas. O objetivo deste método é incluir o contexto no estudo e os métodos escolhidos. O modelo da teoria fundamentada traz consigo alguns aspectos: amostragem teórica, codificação teórica e redação e teoria. A abordagem da circularidade das partes do processo de pesquisa no modelo da pesquisa fundamentada é uma característica central da abordagem e é relevante por abarcar análises de casos. A circularidade representa um dos pontos fortes da abordagem, uma vez que obriga o pesquisador a refletir permanentemente sobre o processo de pesquisa e as etapas específicas à luz das outras etapas.

Na sequência, Flick trata das "questões de pesquisa" no capítulo 9 ao afirmar que nessa fase é essencial uma formulação clara e objetiva, pois todo o trabalho de pesquisa será balizado por essas questões. O autor ressalta que as questões de pesquisa devem ser formuladas em termos concretos, a fim de esclarecer-se o que os contatos de campo supostamente deverão revelar. Segundo ele, quanto menor a clareza na formulação de uma questão de pesquisa, maior é o risco do pesquisador encontrar-se impotente diante da tentativa de interpretar os dados. O envolvimento em determinados contextos históricos e sociais também são cruciais na decisão sobre uma questão específica que depende em grande parte do interesse prático do pesquisador. No que tange a delimitação da pesquisa, está sempre relacionada a redução da variedade e, assim, a estruturação do campo em estudo. A especificação de uma área de pesquisa é resultado da formulação de questões de pesquisa que ajudará ao pesquisador delimitar um tema que considera essencial, mesmo que o campo permita ao pesquisador várias definições de pesquisa deste tipo. Outro ponto importante é a abordagem da triangulação sistemática de perspectivas refere-se a combinação de perspectivas e de métodos de pesquisa apropriados que sejam convenientes para levar em conta o máximo possível de aspectos distintos de um mesmo problema.

No capítulo 10 vimos algumas questões sobre a entrada no campo, tais como o problema do acesso a instituições e indivíduos e o problema da estranheza e da familiaridade das organizações e indivíduos com os pesquisadores. O autor aponta que a questão do acesso ao campo em estudo  na pesquisa qualitativa é mais crucial do que na pesquisa quantitativa, pois o contato na pesquisa qualitativa é mais intenso e mais próximo do que na pesquisa quantitativa, o que exige maior exigência das pessoas envolvidas. A questão sobre a forma como conseguir acesso a um campo e aquelas pessoas e processos que representam um interesse específico no campo merece atenção especial.
O pesquisador e seu entrevistado, na pesquisa qualitativa, tem uma importância peculiar. Pesquisadores e entrevistados, bem como suas competências comunicativas, constituem o principal instrumento de coleta de dados e de reconhecimento. Por este motivo, segundo o autor, os entrevistados não podem adotar papel neutro no campo em seus contatos com as pessoas a serem entrevistadas ou observadas. Em vez disso, devem assumir certos papéis e posições previamente designadas. As informações a que o pesquisador terá acesso e das quais permanecerá excluído dependem essencialmente da adoção bem sucedida de postura apropriada. Participantes, é conceituado pelo autor pelas pessoas entrevistadas ou estudadas. No caso de pesquisas em instituições o termo também se refere àquelas pessoas que devem facilitar ou autorizar o acesso.

No capítulo 11 o debate foi acerca da amostragem no processo de pesquisa. As decisões relativas a amostragem no processo de pesquisa está presente em diversas partes da pesquisa. Está associada a decisão de quais grupos estas pessoas devem ser originárias e quais entrevistas devem ser transcritas e analisadas. Durante o processo de interpretação dos dados, deve-se decidir quais as partes de um texto que devem ser selecionadas para a interpretação em geral ou para interpretações específicas detalhadas. Na fase da descoberta, a decisão fica por conta da seleção dos casos ou partes de textos revelam-se melhores para a demonstração das descobertas. Nesse sentido, é importante destacar que as decisões sobre como selecionar uma amostragem não podem ser tomadas isoladamente, mas sim conduzidas pelo problema de pesquisa, conforme visto no capítulo 9, bem como com o grau de generalização teórica a que se pretende atingir.

No capítulo 12 o autor reúne algumas recomendações sobre como planejar a pesquisa qualitativa, e lança mão das seguintes indagações: Como estabelecer a coleta e análise de dados? Como selecionar o material empírico? Quais os meios disponíveis para reunir esses dados? e outras. Ao elaborar o plano, o pesquisador precisa ter claro e definido o seu objetivo de estudo, sua estrutura teórica, a questão de pesquisa, os materiais disponíveis, os procedimentos definidos, o grau de padronização e os demais recursos disponíveis. Conforme figura a seguir:


Conforme Cresswell (1998), podemos distinguir quatro planos básicos na pesquisa qualitativa, Estudo de caso, Estudo retrospectivo, estudo longitudinal e estudo comparativo. Cada um deles possui singularidades que podem ser recombinadas entre si, a escolha do plano será guiada pelo problema de pesquisa do trabalho.